Este texto foi criado há mais de um ano e é um de meus favoritos, provavelmente pela intenção pela qual ele foi escrito e pela recepção extremamente positiva da pessoa a quem foi dedicado. Por isso mesmo, publico-o com a dedicatória, pois acredito que ela, desinteressadamente, se tornou uma parte dele.
‘Bem, eu, com toda certeza, já não me acho com minhas plenas capacidades. É uma e cinquenta e cinco da matina e meus olhos pesam, mas queria, ainda agora, finalizar isto, mesmo sabendo que depois, sob a luz do dia, vou revisa-lo e decidir que preciso alterar aqui e acolá.
Mas, de qualquer modo, aqui está, teu presente minha querida amiga, apenas algumas palavras soltas que comecei a criar há alguns dias e tentei organizar/encaixar hoje, nas vésperas/na data da entrega (meu mal de deixar tudo para ultima hora).
Saibas que fiz com muito carinho e desejo, que mesmo com os possíveis erros ao qual o sono me ajuda a criar, tu gostes. Parabéns por mais um ano de vida e obrigada por ser uma de minhas flores!’
Minha querida e doce rosa,
Te vanglorias de tua modernidade e desprendimento, mas ainda esperas o colo, o afago, o carinho. E – sussurro agora, para que os outros não nos ouçam – ainda acreditas no príncipe encantado, mesmo que ele não tenha cavalo branco, ou que tu negues até a morte.
Se possuis vaidade? É fato tácito que sim! Trejeitos, jeitos e ‘tudo mais’. Não tentes negar! Tu és clássica, casual, romântica, chic, e outros adjetivos mais, que prefiro não citar, para não sobrecarregar teu orgulho, alimentar o terrível bichinho do ego e te fazer crer que te limitas a isto.
Mas preciso falar de tuas ondas. Como não falar das ondas? Das ondas de teus cabelos, que fazem – mesmo quando revoltas – o povo se admirar. Pensar em ti sempre me faz pensar nelas, numa relação impossível de evitar. Ao ouvir teu nome, eu não te vejo, vejo tuas ondas.
E teu riso curto? Tua voz calma? É através deles que escondes o poder para levar reinos ao auge ou a queda. Porque toda esta sutileza é uma teia onde os tolos se prendem e com a qual os espertos se admiram. Aqueles que te cercam precisam apenas se decidir entre a tolice e a esperteza, sabendo que, de um modo ou de outro, sofrerão com teu encanto.
Por mais que teu apego a ‘títulos’ e ‘classificações’, e que teus discursos, que podem soar mutáveis pelo teu excesso de senso de concordância, me intriguem, tuas opiniões são sempre algo a se ouvir com gosto. E por mais que tua condescendência me assombre (afinal, isso é algo para o qual nasci limitada, bem sabes), ela também me causa admiração.
Sabedoria? Quem a tem? Bem que poderiam nos doar, não é? Mas esperteza e inteligência são algumas de suas armas nesta vida. E teus olhos, sempre atentos, muito me divertem, assim como a velocidade com a qual processas tuas visões e me fitas numa pergunta muda, numa busca pela mesma conclusão a qual chegaste e que, talvez, pelo poder da amizade, normalmente está visível em meu olhar.
Teus ouvidos, também atentos, são adoráveis. Ouvidos que ouvem são uma benção nos dias de hoje! Ambos, olhos e ouvidos, são muito úteis quando andamos zonzas pelas ruas, bêbadas de alegria e companhia. É sempre esplêndido, não é? São boas lembranças do passado e ótimos desejos pro futuro. Não me deixes esquecer disto!
Para ti, que diz se vilanizar, para vítima não ser, preciso dizer que, um dia, vítima todos hão de ser e que, por isso, muito lamento. Mas de uma coisa não podes duvidar. Nunca esqueça disso, de agora ao infinito: Amor em tua vida sempre há de existir. Diga o que disserem. Haja o que houver. O meu, o deles, ou o daquele outro ali. Sempre haverá.
Trazendo as dores, amarguras e agruras que só o amor há de causar e que findamos por conhecer, seja por nome ou por sentir, mas também carregando para sua vida as maravilhas que sem ele jamais existirão, das mais tolas as mais sublimes.
Então, continue te arriscando a viver, que continuarei me arriscando a te acompanhar!

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