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Título: Coraline
Autora do livro: Neil Gaiman
Tradutor(a): Regina de Barros Carvalho
Editora: Rocco
Nº de páginas: 192
Nota: 5/5
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- Gatos não têm nomes – disse.
- Não? – perguntou Coraline.
- Não – respondeu o gato. – Agora, vocês pessoas têm nomes. Isso é porque vocês não sabem quem vocês são. Nós sabemos quem somos, portanto não precisamos de nomes.
Um livro infantil? Só se você for tolo o bastante para nem sequer abri-lo. É isso o que tenho a dizer do livro que vou resenhar hoje.
Acredito que poucos não tenham ouvido, alguma vez, algum comentário acerca deste livro, tanto pelo seu autor conceituado, Neil Gaiman - que tenho começado a ler recentemente e gostado bastante - quanto pelas versões extras criadas, um filme em stop-motion e uma HQ.
O enredo narra a vida de Coraline, que após se mudar com a família para um novo lar - que divide com outros inquilinos - se confronta com um mundo, ao mesmo tempo similar ao em que vive, mas também recheado de bizarras variações.
Por alguns momentos sentiu-se totalmente deslocada. Não sabia onde se encontrava, nem estava totalmente certa de quem era. É surpreendente o quanto do que nós somos depende da cama onde acordamos pela manhã, e é surpreendente o quanto isso é frágil.
De principio, sendo uma criança que lida com pais desatentos e descuidados, o novo universo lhe desperta interesse e encanto. Lá, tudo que há no seu mundo possui uma versão mais interessante e macabra. Aqui surge o toque Alice da história. É interessante perceber as similaridades que surgem ao se ter uma personagem lançada em um universo estranho que, ao invés de simplesmente surtar - como qualquer pessoa normal - lida com tudo com muita tranquilidade.
Porém quanto mais sua Outra Mãe e seu Outro Pai (versões dos próprios pais) lhe enchem de mimos, mais Coraline passa a desconfiar das intenções de ambos e, por mais que seus verdadeiros pais deixem a desejar, a garota resiste ao pedido de suas versões esdruxulas de ser definitivamente parte daquele mundo.
Fica claro ai a intenção de Gaiman em destacar que nem sempre ter tudo o que se deseja é o melhor. Que por mais que os pais de Coraline, seus vizinhos e o meio em que vive possuam defeitos eles ainda são melhores que uma ilusão.
- Você realmente não entende, não é? – disse. – Eu não quero tudo o que eu quiser. Ninguém quer. Não realmente. Que graça teria ter tudo o que se deseja? Em um piscar de olhos e sem o menor sentido. [...]
É neste momento em que a diversão se torna uma aventura com altos níveis de terror. A Outra Mãe se revela uma vilã sem escrúpulos, capaz de fazer o que for preciso pra atingir seu objetivo: ter alguém para amar. A visão distorcida e os metodos por ela usados são, ao meu ver, um exemplo daqueles que em nome dos seus desejos, sendo até mesmo o de amar e ter quem se ama ao seu lado, deixam aflorar o pior de si.
- Mundo pequeno – disse Coraline.
- É grande o bastante para ela – disse o gato. – Teias de aranha só precisam ser grandes o bastante para apanhar moscas.
Coraline terá, agora, que entrar em um jogo arriscado para salvar sua família e a si mesma.
- Porque – disse ela – quando você tem medo e faz mesmo assim, isso é coragem.
É isto galerinha, até a próxima!






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